RELIGIÃO, MANIAS E SUPERSTIÇÕES

    De há muito eu critico, até de forma severa, muitos dos jogadores de futebol, não pela sua fé ou por sua religião, seja ela qual for, porém pelos exageros que cometem ao querer demonstrá-la em público.  A gente sabe que entre eles e entre seus técnicos, para nem falar dos torcedores, como eu, que têm lá suas manias, seus hábitos esquisitos, seus cacoetes, superstições, muitos adotam essas esquisitices quando estão a torcer.   Por exemplo, se eu assisto a um jogo ao vivo, pela TV, do qual participa o meu time, procuro manter minha perna, correspondente ao lado do time no écran, sobre a outra perna. Pois é, sei que nem sempre funciona, afinal é só uma superstição ou mania repetitiva. E você? Não camufle, tenha coragem de confessar.  Eu não chegaria ao rigor do dicionário que define mania, entre várias formas, como sendo “loucura"; "tendência ou inclinação para"; "que apresenta certa mania, tendência mórbida ou patológica": ablutomania, toxicomania.” Caramba, quanto exagero. Convivo com as minhas desde criança sem nenhum problema, confesso. Porém voltemos à religião, à fé dos jogadores de futebol. Vejam que eles têm todo o tempo do mundo para orar, para pedir proteção ou ajuda quanto à determinada partida de que irão participar. Respeito isso, cada qual com sua fé.  Eles dispõem também de muito tempo, por exemplo, no vestiário, antes do jogo, para rezar, mas parece não ser tempo suficiente ou… bom, aí é que entro com a minha opinião crítica sobre o comportamento deles. Já repararam que os atletas esperam entrar em campo e já no gramado, ora se ajoelham, ora levantam as mãos para cima, e alguns rezam falando alto? Isso é fé ou exibicionismo?  Cansei de criticar isso com Zezé e ela dizia que eu estava fazendo um juízo errado sobre as atitudes deles. O mesmo me diz agora a Lena. Esta considera que cada um tem o direito de manifestar sua fé como bem desejar. Pode ser, mas esperar o time entrar em campo para dar aquele show “de fé”, me desculpem, não levo a sério.  Antigamente não se via essas cenas, quando muito alguns jogadores se benziam discretamente ao, como diziam alguns locutores da antiga, adentrarem ao gramado. Nem por isso eles teriam menos fé que muitos dos atuais atletas do nosso esporte bretão. Aliás, diz-se bretão por sua origem, pois se considera que o futebol começou na Grã-Bretanha.   Vejam que a cena a que me refiro acima se repete geralmente com atletas de ambos os times que vão disputar uma peleja. Ora, se Deus existe e é realmente imparcial, como deve ser Deus, a tendência seria os jogos terminarem empatados, não acham?  Por que Deus torceria por este ou aquele time, como dizem também os atletas (“Deus esteve conosco, por isso vencemos”…)? Parece-me uma visão distorcida do Ser Superior em que acreditam e para o qual dirigem suas preces. Sem falar no exagero de tal afirmação que acaba por subestimar o esforço e a competência de toda uma equipe que se empenhou e ganhou o jogo. É como entendo isso. Já vi um certo padre, numa cidade do interior do país, torcedor entusiasmado de determinado time, ir ao vestiário antes do jogo e jogar água benta nos atletas e os abençoar. Afirmou que estava pedindo a Deus proteção para eles. Eu me pergunto: como aquele padre encara depois seus demais fiéis que não torcem pelo tal time? Como vai lhes dizer que Deus é justo e imparcial? Padre, juízo, padre…  Umas rápidas curiosidades entre muitas que poderia citar aqui: sabiam que o grande Marcus, goleiro do Palmeiras, no campeonato brasileiro do ano passado, num jogo contra o time do Inter, creio eu, se benzeu mais de 60 vezes? Não estou inventando nada, isto foi registrado pela crítica esportiva.  Ele o fazia sempre que evitava um gol com uma bela defesa, ou quando o time adversário desperdiçava outro gol com alguma jogada concluída erradamente. Isto para não dizer das inúmeras vezes que ele se benze antes de começar tanto o primeiro tempo quanto o segundo. Perguntariam: o Palmeiras venceu o jogo? Não.   O mesmo fato ocorreu no jogo do Fluminense contra o Cruzeiro. Os da crítica esportiva, que não perdoam, registraram que o goleiro tricolor, Fernando Henrique, se benzeu 58 vezes durante a partida. Eu considero isto muito mais como cacoete do que demonstração de fé, sinceramente. E de cacoete eu entendo…  Esses exageros se repetem a cada jogo, podem observar. Alguns atletas repetem na comemoração de gol palavras como essas: “Deus é nosso Pai, ele nos ajudou a vencer”. Interessante, eu jamais vi Deus por este ângulo, e se o visse estaria me dirigindo ao Deus errado, não Aquele que creio esteja na natureza. Tudo bem.  Mas, no terreno só das manias, religião à parte, tem cada uma história de se dar gargalhadas, pois pessoas sérias, profissionais competentes, acreditam e “professam” suas crendices maníacas com um rigor impressionante. Vejam esta da qual tomei conhecimento pelo rádio em programa esportivo.   Cuca, o ex técnico do Botafogo, agora no Flamengo, proíbe o motorista do ônibus que transporta o time a dar marcha a ré, ele só pode dirigir para a frente. Explico: consta que se o time estiver dentro do ônibus, em hipótese alguma o motorista pode recuar o veículo. Ouvi isto na rádio CBN e confirmado por pessoa da família do técnico. Justificativa: andar pra trás dá azar e o time pode perder o jogo!!   Certa vez o motorista, para sair do lugar, tinha mesmo que usar a marcha a ré, então o técnico teria feito os jogadores descerem todos para voltarem ao veículo mais à frente. Não, não ria, manias e superstições existem e muita gente boa, gente que você também conhece, adota diversas, acredite. E você nunca teve manias?!  Por agora chega, preciso dar duas pancadas na mesa do computador para ver se o meu Coríntians não perde o jogo hoje… xiiii, a mesa é revestida de material plástico e a da copa é de mármore… e agora?  Corintiannnnssss…. risos…