RETRATO EM PRETO E BRANCO

    Possuo uma mania que pode ser considerada como mórbida: sempre que posso, assisto na TV, na hora do almoço, a um programinha de cerca de um minuto, mostrando retratos e fotos de jogadores de futebol. Retratos, porque caracterizam os “preto-e-branco” de antigamente. São imagens comparativas de como eles eram e de como se encontram atualmente. E toda vez, fico impressionado em notar as mudanças que ocorrem com as pessoas, tornando-as quase irreconhecíveis. Na internet também “pintam” fotos desse tipo. Há pouco tempo recebi uma mensagem mostrando como se encontram hoje em dia “as crianças” da família Von Trapp, do filme a Noviça Rebelde. Vi também, o Cristopher Plummer que fez o pai/viúvo da criançada. Apesar de “inteiro” fisicamente, está com o rosto mais enrugado do que maracujá de gaveta. Já a Julie Andrews, a noviça que no filme se transformou na madrasta do clã, encontra-se mais conservada do que todos eles. Não gosto de me ver em fotografias, mas, sempre que vou à casa da minha irmã, não dá outra: ela pega um velho baú de retratos e passa a comentar cada um deles comigo. São fotos antigas da nossa infância e dos nossos pais.Uma das que gosto muito de rever é a de quando tinha menos de um ano. Era tão “redondinho” que disputei um concurso de robustez infantil. Minha mãe sempre contava que um dia me deixou no carrinho, sozinho, por segundos, na porta de casa, e logo apareceu um carro com alguém querendo me raptar. Histórias de “corujice” explícita. Outra preferida é uma foto da minha primeira comunhão. Estou eu lá todo contrito, de roupa nova, livrinho de missa em uma das mãos e, na outra, segurando uma vela envolta em grande laço de fita. Como a foto é de perfil e estou ajoelhado no genuflexório (tá vendo o que dá estudar em colégio de católico? Traduzindo: móvel pra rezar) o meu sapato mocassim – que, de tão velho, minha mãe jogava no lixo e eu acordava cedo para resgatá-lo e voltar a usar – sobressai (também, já contei isso!).Sobre o tema fotografia mais duas observações: uma é que sempre em eleições surgem na imprensa várias matérias de como os candidatos aos cargos maquiam suas fotografias. Nenhum político adquire rugas, cabelos brancos ou engorda. Só que nessa “limpeza de imagem” há também o efeito contrário. Na minha rua, o comentário geral é de que a foto da propaganda de um determinado candidato a vereador, presente em quase todas as casas, revelava sua preferência por generosos goles de “água que passarinho não bebe”. Contudo, pessoalmente, não passava essa impressão.  Outra é que as fotos dos “escrevinhadores” que possuem lugar cativo na Rionet têm me deixado “encucado”. Apesar do Eliseu do Rio ter estranhado que só o cabelo dele fica branco, minha impressão é que sou o único, de todos nós, quem envelheceu…