VIRGINDADE

                Considero o Arnaldo Jabour igual a aquele tipo de sabão que não lava quase nada, mas que faz uma montanha de espuma. Por isso, sempre “passo batido” pelas suas crônicas. Todavia, outro dia ele me “pegou” pelo título que deu à matéria: “As intrincadas fivelas dos antigos sutiãs”. A crônica era sobre as dificuldades que havia em se manter relações sexuais em sua juventude, que ocorreu mais ou menos na minha época, e as facilidades de hoje em dia.            Mas, não era só as fivelas dos sutiãs que eram complicadas. Lembro que antes das saídas da minha irmã, que nunca ultrapassavam a meia-noite e sempre para comportadíssimos “arrasta-pés”, minha mãe recomendava em tom de brincadeira, mas a sério, que ela usasse pelo menos cinco calcinhas. “Se o seu namorado conseguir tirar uma, sempre tem outra. Na terceira ele desiste…” Manter-se virgem e casar de branco na igreja era uma obrigação. Ao contrário de hoje, que virgindade é palavrão e que o sexo é tratado e praticado com toda naturalidade, qualquer membro do time feminino “daquele tempo” que aparecesse grávida passava a ser a “bola da vez”, até que o casamento fosse realizado a toque de caixa. Ser virgem era tão importante que se dizia que era um dos quesitos básicos nos concurso de misses.          O aparecimento de alguma moça de barriga tinha dois olhares distintos: para o time feminino o fulaninho havia feito “mal” a fulaninha. E no seio do time masculino, ironicamente, dizia-se que a “o cicrano havia comido a merenda antes do recreio”.        Pode ser que não, mas quem desmistificou a gravidez foi Leila Diniz que mostrou todo o esplendor de sua barriga de vários meses, indo à praia de biquíni. Até então, as mulheres em “estado interessante” só usavam longas batas que passavam dos joelhos ou calças compridas.       Mas acho que pior do que aparecer grávida sendo solteira era a mulher descasar. As desquitadas/separadas tinham que levar uma vida digna da Madre Tereza de Calcutá. De forma alguma podiam usar short na rua e se conversassem com qualquer homem eram imediatamente alcunhadas de “piranha”. E, viúva séria, era aquela que venerava a imagem do falecido pelo resto da vida. A recíproca era verdadeira. Era necessário ser muito macho para se poder viver com mulheres oriundas desses estados civis.       Assumir a homossexualidade masculina ou feminina equivalia a arder no fogo do inferno.           Como não havia motel, os mais abastados dividiam o aluguel de quitinete para servir de “matadouro”, como se dizia. Mas, a maioria dos encontros acontecia no escuro dos “escondinhos” cujos acontecimentos eram mantidos em absoluto segredo até a barriga crescer. Antes disso, os juramentos eram de que os contatos não ultrapassavam os limites das periferias.       Para finalizar, uma lenda sobre a virgindade: lá pelos anos 70, afirmava-se de “pé junto” que em Cuba toda “moça” cubana tinha que ser deflorada por Fidel Castro. Como a ilha possui pouco mais de 11 milhões de habitantes, podemos admitir que 10% estejam na faixa entre os 30/40 anos. Isso significa que “EL Comandante” possui cerca de 110 mil   filhos, por baixo.