Edição 108 – 24/6/2021

“Ninguém pode achar que vai ficar livre dessa reforma”, alerta especialista em webinar; dia de luta também tem ato público


“Não se agarre à sua árvore. O que vem por aí é a derrubada da floresta”. Assim ilustrou o consultor e assessor parlamentar Vladimir Nepomuceno, em relação à abrangência dos efeitos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2020 durante o webinar “Os impactos da Reforma Administrativa para os servidores do Banco Central”, promovido pelo Sinal na tarde desta quarta-feira, 23 de junho.

“Ninguém pode achar que vai ficar livre dessa reforma”, destacou o especialista, confrontando o discurso do governo de que os atuais servidores não serão atingidos pela matéria em pauta no Congresso Nacional. Dentre outros pontos, Nepomuceno citou o aumento da ingerência nos órgãos do Estado, haja vista a possibilidade de indicações políticas para cargos estratégicos. Ainda de acordo com ele, por estas e outras disposições, a PEC remonta práticas do início do século XX na Administração Pública. “Cadê a modernidade?”, questionou.

Na mesma linha, o diretor de Relações Externas do Sinal, Francisco Tancredi, criticou a possibilidade de ruptura da boa tradição do BC, uma vez que atualmente as comissões são reservadas aos servidores de carreira. Essa prerrogativa, pontuou, é o que tem feito da Autarquia um órgão de qualidade reconhecida internacionalmente.

Além dos riscos decorrentes da reforma, as perspectivas de tramitação estiveram em voga. A apresentação e mediação do evento ficaram a cargo do presidente nacional do Sindicato, Fábio Faiad.

Assista aqui ao webinar.

Não à PEC 32/2020

Além de atividades virtuais, o dia nacional de mobilização contou com ato político em frente ao Congresso Nacional. “A reforma administrativa é contra o Brasil”, estampava faixa exposta pelo Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) durante a manifestação, em um recado para a sociedade e o Parlamento.

“É fundamental que toda a categoria se mobilize”, destacou o diretor de Comunicação do Sinal, Mardônio Sarmento, que classificou a matéria como “agressão ao serviço público brasileiro”.

Também presente no ato, o coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público (Servir Brasil), deputado Professor Israel Batista (PV/DF), afirmou: “A PEC 32 significa o desmonte do serviço público. É como se o Brasil voltasse à República velha em termos de patrimonialismo”.

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