Edição 443 - 05/05/2005

Centrais de Atendimento ao Público (CAP´s)

Mais um desmonte de nossos direitos?

Quando pensamos num Banco Central, entendemos que sua atuação ultrapassa mera busca da meta da inflação (dá-lhe, juros…). Entendemos também que o Banco Central deve se preocupar com os velhos e bons direitos sociais.

A face visível – única por sinal (desculpem o trocadilho, involuntário) é a existência das Centrais de Atendimento ao Público (CAP´s), serviço que tem como objetivo precípuo a defesa do cidadão frente às freqüentes arbitrariedades cometidas pelas Instituições Financeiras. Há de se notar que sua atuação não se restringe ao registro de queixas, mas ao empenho, dedicação e, sobretudo, sucesso na solução das mesmas.

O sucesso das CAP´s é facilmente mensurável: são prestados cerca de 660 mil atendimentos anuais, o alcance é nacional, e o meio de comunicação pode ser ligações telefônicas, e-mails e correspondências.

Num ambiente inóspito, em que o cidadão se vê desprotegido por um Código do Consumidor Bancário inepto, por um lado, e pelo tratamento abusivo e irresponsável com que os bancos tratam seus clientes, por outro, não se pode destruir a única trincheira que dá guarida aos direitos dos consumidores! De fato, quem nunca teve que perder sua “hora de almoço” ou chegar atrasado ao trabalho porque teve que esperar longas horas em filas intermináveis no banco? Não nos custa lembrar, o máximo de tempo permitido de fila são os aceitáveis 15 minutos!!! Quem nunca se deparou com taxas que caem como pára-quedas em nossos extratos, cuja única certeza de que não corresponderão a débitos injustificados é uma auditoria pessoal diária, que se traduz em falta de confiança na instituição bancária, e, conseqüentemente, no famoso stress??!!! Quem nunca recebeu um cartão de crédito não solicitado, acompanhado na seqüência da cobrança de tarifas e anuidades, e ainda carregou o ônus de perder seu exíguo tempo no desfazimento de tal negócio, quando não de seu dinheiro??

Pois bem, o atendimento, que cumpre a contento a função de nos proteger de tais arbitrariedades, e é realizado por um servidor, será substituído pela frieza de uma linha 0800 automatizada. A primeira providência será manter apenas 20 pessoas envolvidas com o atendimento ao público na sede do BC, e deslocar os 135 funcionários das Regionais para a fiscalização. As ligações que não puderem ser atendidas pelo 0800 serão, por mais incrível que possa parecer, automaticamente remetidas para as instituições que sofreram a reclamação!! Apostou-se, mais uma vez, no investimento em tecnologia, buscando-se a economia fácil em detrimento do bem-estar da população.

Soma-se ao problema o fato de que os funcionários que serão alocados para outra função não detêm o conhecimento e preparo específico para tal, o que provavelmente impactará na performance de seus trabalhos futuros, sem considerar o impacto psicológico da mudança, posto que é possível que os funcionários simplesmente não queiram mudar suas rotinas.

Parafraseando nosso caro Presidente, não fique sentado vendo o BC desmoronar, vendo os direitos de seus colegas desmoronarem, vendo os direitos de todos os cidadãos desmoronarem. Não perca o saudável hábito de se indignar frente às arbitrariedades acachapantes movidas por interesses que, muitas vezes, desconhecemos.

Sendo assim, o Conselho Nacional do SINAL resolveu apoiar unanimamente o Direito do Consumidor do Serviço Bancário, decidindo que tomará as providências necessárias para preservar o cidadão e coibir os abusos contra ele cometidos.

Não aceite a mudança das CAP´s… amanhã você poderá estar do outro lado da linha !!!!

Conselho Regional/SP.

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