Edição 53 - 24/08/2005

Temos ou não temos dignidade?

Não dá para recuar da postura de repúdio e crítica contundente às políticas governamentais para o serviço público, num momento em que evidenciam, no fundo de um poço jamais visto, o desmantelamento das atividades do Banco Central, cuja face mais visível é o roubo do Mecir em Fortaleza. Contabilizamos, pois, o enfraquecimento óbvio das atividades-fim da autarquia mediante a desvalorização de sua logística, refletidas na desmoralização das suas funções (críticas na CPI), no achatamento salarial e na insatisfação em, todos os níveis funcionais.

A crise é grave e de rara amplitude, na perspectiva de um governo fundamentado num Congresso Nacional que, por meios vexatórios, amealhou medidas drásticas contra os servidores públicos, com vistas à aprovação da reforma da previdência e que acena com um choque de gestão mediante o projeto de déficit zero. Motivos suficientemente fortes para provocar uma reação como jamais vista: entre os servidores mais antigos, além da ausência de atrativos de permanência na carreira, pelo poder aquisitivo do salário encontrar-se em queda-livre, agravado pela taxação; entre os novos, sobretudo, pela falta de condições adequadas nas carreiras ocupadas pelos antigos.

A aprovação da paralisação de advertência de 48 horas pelos funcionários do Banco tem somente um sentido: chamar à responsabilidade os diversos setores do governo em busca da negociação. Atuar numa trajetória de reversão deste quadro de desgaste da Instituição, mais do que uma obrigação da Administração com as nossas questões corporativas, é fator preponderante na sobrevivência e na autonomia do BC na condução da política econômica do País.

É fato que o Banco deve promover alguma retaliação para desmobilizar o funcionalismo, mas, o que defendemos vale muito mais que isso. Impressiona, no entanto, a rapidez da Diretoria de Administração, em lançar o desconto do dia 18/08/2005, já na prévia do contra-cheque deste mês, sendo que a mesma celeridade não tem a Direção do Banco quanto às demandas do funcionalismo explicitadas nessa campanha salarial.

Cabe-nos a avaliação do quanto é justa, legítima, devida e oportuna a nossa atitude de luta, cujos resultados, uma vez alcançados, são para o resto da nossa vida funcional.

Diante da manobra intimidatória do Banco, VAMOS RESPONDER À ALTURA.

 Texto publicado pelo Sinal Belo Horizonte

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