A briga dos planos de saúde
O Globo, 06/04/2003
Operadoras pedem reajustes entre 15% e 20%, mas governo deve
autorizar cerca de 7%
Num momento em que o governo estuda como limitar a autonomia
das agˆncias reguladoras na fixa‡Æo dos reajustes em telefonia e energia
el‚trica, o ministro da Sa£de, Humberto Costa, afirmou que o aumento dos planos
de sa£de individuais, que acontece a partir de maio, ficar em cerca de 7%. Com
os ¡ndices de infla‡Æo acumulando percentuais de 15,8% at‚ fevereiro, s¢ esse
aumento representar um impacto de 0,18 ponto percentual no Öndice de Pre‡os ao
Consumidor Amplo (IPCA), taxa que orienta o sistema de metas de infla‡Æo do
governo.
– O aumento nÆo deve ser muito diferente do valor autorizado
no ano passado (7,69%) – disse Costa.
Ao contr rio das agˆncias que regulam tarifas p£blicas, a
Agˆncia Nacional de Sa£de Suplementar (ANS) nÆo tem autonomia para fixar o
reajuste. O ¡ndice deve passar antes pelos minist‚rios da Sa£de e da Fazenda.
Segundo o presidente da ANS, Janu rio Montone, como nos dois £ltimos anos, o
c lculo ser feito em cima dos reajustes dos planos coletivos, em que a
negocia‡Æo ‚ livre:
– Os nossos reajustes sempre ficaram abaixo da infla‡Æo –
disse Montone.
Nos coletivos, alta entre 10% e 30%
Se for mantida a metodologia dos £ltimos anos, o reajuste
pode ficar acima dos 7% citados pelo ministro, e o governo ter de intervir. Na
conta de uma grande operadora, o reajuste m‚dio dos planos coletivos ficou em
9,71%. Num levantamento feito pela consultoria em recursos humanos Towers Perrin
com 20 empresas que juntas contratam planos para 700 mil funcion rios e
dependentes, a maioria dos reajustes ficou entre 15% e 20%. O menor foi de 10% e
o maior, de 30%. Nesse caso, o impacto na infla‡Æo seria o dobro: 0,36 ponto
percentual, se a alta for de 15%.
– Os crit‚rios t‚cnicos serÆo pressionados pelo cen rio
pol¡tico e econ“mico – afirma Lais Perazo, gerente da Towers.
Rosƒngela BrandÆo viu no boleto de seus pais o aumento de 30%
captado pelo levantamento. O plano coletivo do HSBC com a associa‡Æo de
funcion rios da Prefeitura subiu 31%. A fatura passou para mil reais: " – O meu
pai gasta praticamente toda a aposentadoria com o plano. O HSBC explicou que o
aumento foi acertado com a associa‡Æo e aprovado pela ANS."
A aposentada Marilda Pinheiro, de 64 anos, j arcou com
aumento de 218% no plano da Golden Cross, que passou para R$ 260. A mudan‡a de
faixa et ria causou o reajuste:" – Ainda trabalho e consigo pagar o plano. Mas
est ficando cada vez mais dif¡cil."- conta Marilda.
Segundo a Golden Cross, o reajuste foi autorizado pela ANS,
mas a operadora dar um desconto de 25% na mensalidade de Marilda. Segundo a
Fenaseg – que re£ne as seguradoras – as empresas precisam de 15% a 20% de alta.

