Edição 68 - 13/06/2007

Reunião sem NENHUMA PROPOSTA revolta e deixa no ar a pergunta: de que adiantaram as gestões do Presidente do BC junto ao governo?

Reproduzimos abaixo texto do Apito Brasil 60, de 13.06, enviado por e-mail para todos os servidores

Na reunião da última sexta-feira com o Presidente Henrique Meirelles com a bancada sindical, ficou uma expectativa.

Esperava-se, na volta de sua viagem ao exterior, que houvesse uma nova rodada de negociação em que o governo apresentasse ao funcionalismo do BC uma resposta que avançasse na direção da contraproposta que deixamos sobre a mesa na rodada anterior.

Ontem, depois de 41 dias de greve, NENHUMA PROPOSTA – nova, diferente, inusitada, pior ou melhor – foi trazida à Mesa.

Ao contrário. Estreando no lugar de Sérgio Mendonça, Secretário de Recursos Humanos que recentemente se afastou do governo, seu substituto, o também sindicalista Duvanier, fez questão de percorrer o tortuoso (e déjà vu) caminho tantas vezes percorrido por seu antecessor.

Colegas, a reunião que era para começar às 17h30 só foi iniciada EXATAMENTE duas horas depois. Ao longo da reunião, várias vezes se apelou à "objetividade", mas, do governo, nada de objetivo foi trazido à Mesa. A reunião terminou quando faltavam quinze minutos para a meia-noite, com os representantes da bancada do Governo propondo um recesso, para retornar hoje às 14h30.

Os representantes do funcionalismo mantiveram-se na sala depois da saída dos representantes do governo. Discutiram estratégias e encaminhamentos para o dia de hoje, bem como os rumos desta Campanha insana, que teima em não acabar, e se prolonga por obra e graça dos erros que o governo vem cometendo, sujeitando a todos – governo, BC, servidores e a sociedade – a um desgaste absolutamente desnecessário.

A bancada sindical deliberou levar às assembléias de hoje à tarde os seguintes indicativos:

a) continuação da greve no dia de hoje;

b) assembléia amanhã (14) às 10h, para informação e deliberação sobre o que resultar da reunião da Mesa de negociação de hoje à tarde.

Compareça e participe das assembléias, quando os representantes sindicais regionais poderão informar mais detalhes, para subsidiar deliberações que haveremos, unidos, de tomar.

Um relato pormenorizado da reunião de hoje, com mais detalhes e as falas dos presentes que se manifestaram, será divulgado no nosso site (www.sinal.org.br/Campanha Salarial/Documentos).

Fique a seguir com o relato do "bate-pronto" que foi transmitido à macro interna do SINAL pelo Conselheiro Sales, Presidente Regional de São Paulo.

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19h30 – começa a reunião com a manifestação do Sr. Duvanier. Diz que deseja, em reunião eficiente e rápida, buscar uma solução – a que chamou competência política – através da negociação democrática, para superar o impasse, pois entende que o problema financeiro estaria solucionado, haja vista a tabela haver sido considerada satisfatória.

Acrescenta que o impacto em 2007 e os dias de paralisação da greve devem ser negociados nesta Mesa.

Perguntado sobre o salário inicial, remeteu o assunto para o GT-PCS que será criado; nas suas palavras, foi reforçado pelo Diretor Gustavo, e remeteu o assunto sobre o salário inicial para discussão no âmbito do Banco Central.

Não foi apresentada nenhuma proposta , como era esperado.

20h20 – O Presidente do SINAL pede a palavra, dá boas-vindas ao novo Secretário, ressalta aspectos de avanço na proposta do governo, e resgata a contra-proposta que os sindicatos deixaram na mesa na última reunião.

Enfatiza que a greve é o recurso extremo de luta, e lembra que nossa carreira é de auditoria e que deve ser respeitado o parâmetro que é a Receita, o que não está acontecendo. Apenas a metade final da tabela está compatível com a Receita, enquanto que o a primeira metade está num nível inferior.

Maranhão também dá os parabéns ao novo secretário e diz que a categoria está disposta a negociar e a cumprir sua parte no rito. Acrescenta que os serviços represados serão colocados em dia, ou seja, que haverá reposição dos dias de greve.

Pede, ademais, que a questão econômica seja discutida em primeiro lugar e cobra a proposta do governo.

20h28 – o governo não faz proposta, ainda, mas enfatiza que já foi proposto o desconto dos dias de greve e que os sindicatos não aceitaram.

Pede, então, que seja construída uma proposta global – insiste nesse termo – para superar o impasse.

20h52 – seguem-se as falas dos integrantes da Mesa, sem qualquer avanço.

21h05 – o governo insiste na proposta global construída na Mesa, incluindo o desconto dos dias de greve.

21h32 – continuam os dois problemas: impacto em 2007 e desconto pecuniário dos dias de paralisação. O Presidente do SINAL propõe que se discutam critérios e conceitos dos tópicos por itens, para se avançar na discussão. O Secretário repassa essa forma de encaminhamento, dizendo que um possível impacto em 2007 deve tender a ZERO. Não conseguimos avançar, ainda!

21h48 – intervalo: ainda não há acordo !

21h59 – o Diretor Gustavo, cabisbaixo, pouco participa.

22h32 – a bancada sindical apresenta uma proposta:

a) Setembro 2007 – percentual igual ao da 2a. parcela
b) Janeiro/2008 – B1 e tabela final.
c) Dias da greve – compensado pela reposição do trabalho represado.

23h04 – o governo sinaliza, de leve, que pode ter algum impacto – tendendo a zero – em dez/2007; entretanto, não abre mão do desconto dos dias de greve, sem especificar o percentual.

23h42 – sem avanço efetivo: houve sinalização de que se pode definir a questão econômica separadamente, ficando a discussão dos dias de greve para momento posterior, mas não há consenso, ainda. 23h48 – suspensa a reunião, sem qualquer avanço ou acordo. A Mesa será reunida amanhã, a partir das 14h30.

Leia, a seguir, o relato da reunião, na visão da bancada sindical na mesa de negociação:

Presentes:

Bancada do governo: Duvanier Ferreira, Vladimir Nepomuceno, Marilene Lucas, Idel Profeta, Ana Lúcia, Gustavo Matos, Miriam de Oliveira, Sérgio Lima, Marciano e Nilvanete.

Bancada sindical: David Falcão, Walter Borges, Sérgio Belsito, Julio Madeira, Aparecido Sales, Mario Getúlio, Paulo Calovi, Gilmar, Cardoni, Niraldo, Lourenço, Maranhão, Antonio Santana, João Porto.Duração da reunião: das 19h40 às 23h45.

A posição governamental foi absolutamente intransigente: do começo ao fim da reunião, o governo exigiu que os servidores concordassem previamente com o estabelecimento de um acordo que pressupunha o desconto de, ao menos, uma parte dos dias de greve. Insistiu em que queria "compartilhar o que será feito com os dias de greve", mas desde que os servidores admitissem que alguma coisa teria que ser descontada em pecúnia.

Em troca disso, o governo afirmou que admitiria trazer uma parcela de reajuste para 2007 – desde que fosse "em caráter simbólico, tendendo a zero".

A respeito do incremento no salário inicial, que é parte da contraproposta dos servidores, o governo tentou descartá-lo liminarmente, postergando a discussão para o momento em que for discutida a implantação de um novo PCS.

A linha do governo foi de pedir seguidamente aos servidores que levassem em conta as dificuldades do governo para fazer novas contrapropostas, considerando que "é dificílimo ceder alguma coisa em 2007, e alguma parte dos dias parados têm que ser descontados".

Depois de inúmeras rodadas de intervenções – que serão relatadas verbalmente pelas entidades – e o estabelecimento de seguidos impasses, pois as entidades obviamente não aceitaram de forma alguma as atitudes do governo, a SRH solicitou que a reunião fosse suspensa e retomada nesta quarta-feira, 13.06.07, às 14h30.

As entidades encaminham a todas as Assembléias o indicativo da continuação e o fortalecimento da greve até que o governo apresente uma solução.

Pela bancada sindical da mesa de negociação, os integrantes acima citados.

Assembléia – Hoje – 14h30m – Saguão da ADRJA

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