Edição 68 - 05/07/2007

Vale o que está escrito

 

A sabedoria popular cunhou um adágio de inegável valor: "Vale o que está escrito".

Infelizmente, no caso do funcionalismo do BC, essa frase se reveste de um triste significado: em que pese a falta de justificativa, o desconto de sete dias de salário é o que vale, pois "estava escrito" em nossos contracheques de abril e maio.

Como sabemos, o governo/Bacen demorou muito até reconhecer a justeza da nossa recomposição salarial, o que nos obrigou a realizar uma greve histórica, para que fosse colocada na Mesa uma nova tabela salarial, ainda que em "suaves prestações".

Num ato de elevada boa vontade, os funcionários do Bacen concordaram em encerrar a greve e retornar ao trabalho mesmo tendo sofrido uma injustificada violência, que resultou no corte de mais de ¼ do seu salário. Ninguém em sã consciência poderia supor que quem teve o seu direito reconhecido acabaria por ser penalizado.

Há várias reuniões da Mesa de Negociação temos sustentado que não aceitamos o desconto de um dia sequer. Não há outra justificativa, a não ser o fato de o governo querer nos transformar em instrumento de intimidação junto ao funcionalismo público, que anda insatisfeito com a perspectiva de congelamento dos seus salários para sustentar o PAC, por toda a próxima década.

Agora, surgem informações sobre reuniões de gerentes em várias regionais a respeito dos dias de greve. Nelas estariam sendo propostos esquemas de compensação daqueles dias, acompanhados de "pérolas" como "a possibilidade de nenhum desconto" e de ameaças do tipo "…se não houver compensação, o desconto poderá ser implementado novamente…".

Todas a reuniões tinham um ponto em comum: a necessidade de um novo ato de boa vontade por parte do funcionalismo, qual seja, o de colocar o trabalho atrasado em dia. Além disso, surgiram notícias sobre retaliações em alguns Departamentos.

Como confiar nas intenções de quem, por intermédio de um preposto, afirmou na Mesa que o Banco e o Ministério do Planejamento têm uma posição comum?

Se houve mudanças na visão do Banco, por que não se buscou uma nova reunião com o SINAL, em vez de, unilateralmente, criar confusão no seio do funcionalismo, atropelando o processo de negociação em curso?

Já que a direção do Bacen solicita repetidos "atos de boa vontade" aos seus servidores, deveria dar o exemplo e começar por devolver os dias já descontados, abrindo assim as portas para um entendimento efetivo.

De concreto, temos um desconto em nossos salários e nenhuma garantia que nos faça trabalhar em algo que não sabemos se iremos receber. Por enquanto, vale o que está escrito.

O SINAL esclarece:

  • não existe, nem mesmo na Mesa do MP, qualquer acordo sobre o assunto;
  • recomendamos aos servidores aguardarem o resultado do processo de negociação, e a manifestação do Sindicato nas assembléias que serão realizadas no dia posterior ao da reunião da Mesa.
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