Edição 47 - 04/04/2008

Deu no informativo do CR-SP, e repercutimos para todo o Brasil



Sindicato alerta para risco de evasão de funcionários do BC

Patrícia Acioli  (do Jornal DCI, desta data)

Desde 2006, Banco Central já perdeu 54 profissionais; salário é causa de insatisfação

São Paulo – O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) alerta que se o governo continuar pagando salários inferiores aos dos profissionais da iniciativa privada e aqueles de outras carreiras públicas congêneres, se arrisca a ver os quadros da entidade esvaziados. De 2006 para cá, o Banco perdeu 54 profissionais, que entraram pelo concurso realizado em 2005. "Eles saíram para outros cargos no governo", diz o presidente do sindicato, David Falcão.

"A evasão dos servidores é real e com um agravante que o governo precisa se preocupar: até 2010, cerca de 40% deles vão ter condições de entrar com a aposentadoria", conta Falcão. Hoje a entidade tem aproximadamente cinco mil funcionários na ativa e cinco mil inativos. A média salarial da categoria é de R$ 6 mil. "Um diretor chega a receber nominalmente R$ 12 mil, mas se ele for trabalhar para a iniciativa privada consegue ganhar valores próximos a R$ 60 e R$ 70 mil", afirma Eduardo Stalin, presidente do Sinal-SP. "Isso é canibalismo salarial", completa. Stalin diz que a Receita Federal tem sido o destino mais procurado pelos servidores do Banco insatisfeitos.

Na área de fiscalização, por exemplo, depois que o servidor é aprovado em concurso, o Banco investe cerca de cinco anos para formar o profissional. "É preciso pensar que a falta de preparo coloca em risco a poupança popular e investidores", afirma Falcão. Segundo ele, contrário ao movimento, no resto do mundo, de fortalecer a área de supervisão bancária, o governo brasileiro está desprestigiando a categoria. "O País tem sido exemplo para o mundo nesse quesito, mas da forma como está desprestigiada a instituição pode fragilizar o seu corpo técnico".

A entidade cobra do governo federal a valorização da categoria e uma remuneração melhor. "Queremos ficar no mesmo padrão de carreiras do topo do Executivo. Como é o caso da Receita – até 2002 acompanhavam o nível salarial, mas de lá para cá houve uma queda acentuadíssima. Hoje o BC ocupa por volta da nona posição dos salários do Executivo", conta.

As carreiras que o sindicalista chama congêneres são em especial aquelas que compõem o grupo "fisco". Na semana que vem, o sindicato vai até o Ministério do Planejamento negociar. "Primeiro, queremos que o governo implemente o acordo de novembro de 2007 com efeito retroativo e equipare os vencimentos à Receita sob a forma de subsídio, que é o mesmo modelo dos parlamentares, magistrados e polícia federal", diz. 

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