Edição 139 - 15/10/2012

Assembleia analisa novos cenários

Carlos Alberto Pereira Luiz Roberto Domingues
Assembleia do Sinal-RJ analisa novos cenários
Os funcionários que participaram da mobilização pela reabertura de negociação com o Governo, iniciada na manhã da 5ª f passada, com assembleia e café da manhã na porta do BC, puderam saber, em primeira mão, das últimas providências e acontecimentos relativos à Campanha Salarial.

À tarde, dando prosseguimento à mobilização, no auditório da ADRJA , o economista Carlos A. Pereira, Secretário Geral da CGTB, falou sobre as possibilidades de reabertura de negociação com o Governo, dentro do tema proposto pelo SINAL.

Segundo ele, a última mobilização dos servidores públicos foi o mais amplo e decidido movimento do setor já realizado e que a opção pelo arrocho salarial foi uma postura do governo na condução da política econômica, sinalizando para os empresários do setor privado a mesma postura frente aos trabalhadores da indústria em São Paulo, às vésperas de uma grande campanha salarial.

Disse que, seria um equívoco achar que o governo impôs o arrocho aos mais especializados para melhorar a vida dos mais carentes. Houve uma opção pelos bancos e pelas multinacionais com financiamentos através do BNDES (70% dos 13 bilhões investidos foram para financiar multinacionais) e recursos subtraídos da Previdência Social. A economia brasileira está se desnacionalizando, a remessa de lucros bate recordes todos os anos enquanto o crescimento cai a 1,5% em 2012. Por aí, dá pra saber quem são os "sangue azul" e quem os privilegia.

Concluiu dizendo que o espaço para a reabertura das negociações é pequeno por causa da postura arrogante do governo. Mas existe. É preciso buscar caminhos alternativos de negociação, apoio e solidariedade do movimento social e do conjunto dos trabalhadores.

Dando prosseguimento aos eventos do dia, o assessor do SINAL e ex-Coordenador Geral de Seguridade Social do MPOG, Luiz Roberto Domingues, especialista no tema "Estrutura Administrativa do Serviço Público", trouxe uma proposta inusitada de uma nova estrutura de carreiras no Banco Central através de uma mudança de paradigmas, fundindo a carreira de técnico com a de analista e alterando a carreira de analista, passando de 4 classes e 13 padrões para 4 classes e 22 padrões. Essa mudança, segundo Luiz Roberto, traria uma minimização de diferenças e anseios e também resgate de direitos, mesmo sob a égide do subsídio.

Entretanto, a proposta trás alguns pontos polêmicos: propõe a extinção do cargo de técnico – toda a carreira passa a ser de nível superior – e não beneficia os aposentados de imediato.

Mas, há alguns aspectos a considerar, como o de propor uma remuneração inicial mais baixa, com menor impacto orçamentário para os concursados; os técnicos em final de carreira poderem voltar a ter aumento real depois de 1 ano de implantação da nova estrutura de remuneração; unificar o discurso de carreira; vincular necessariamente a remuneração ao topo da carreira; destruir a ideia de criar padrões acima sem reverberação nas categorias de baixo; vinculação salarial pelo topo da tabela, via fator de redução, mantendo a discussão de melhorar o topo e deslocar o ganho também para os aposentados; e possibilidade de incluir agregados.

Houve muitas perguntas e questionamentos sobre a inusitada proposta que, segundo alguns, pode ser melhorada.

P.S. Clique aqui e acesse o inteiro teor das 2 palestras pode ser acessado no site do SINAL.

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