Edição 56 - 28/05/2007

MAIS QUE POR SALÁRIO, POR DIGNIDADE

 

Esta Campanha Salarial, que se arrasta por mais de dois anos, mostrou uma outra face do Governo: a discriminação contra o Banco Central.

 

Todos se lembram que, em maio do ano passado, o Governo editou a MP 295 concedendo o reajuste linear de 10% sob as seguintes premissas:

 

a)     havia exaurido o limite orçamentário;

 

b)     estávamos equiparados às carreiras congêneres.

 

Um mês depois, o "pano caiu", mostrando que nada daquilo era verdade:

 

a)     houve uma farta distribuição de reajustes às carreiras (às quais haviam sinalizado com 5%), cujo impacto total foi de mais de 20 vezes o negociado conosco;

 

b)     todas as outras carreiras congêneres e similares deram enormes saltos salariais, sem um dia de greve sequer.

 

Agora, retomadas as negociações depois de greves de advertência, o Governo vem à Mesa, garantindo que não pagaria a dívida que tem para conosco desde junho de 2006 por causa do PAC e que, em conseqüência, não teria reajustes em 2007 para nenhuma categoria no serviço público: outra falácia!

 

Os colegas da Polícia Federal, com apenas três dias de "operação-tartaruga", mostraram que o argumento não era verdadeiro e conseguiram reajustes a partir de setembro deste ano.

 

Outro sinal claro de discriminação vem com relação às faltas por motivo de greve. É da tradição do Banco descontar, e prática dos servidores compensar esses dias, com a atualização dos serviços acumulados.

 

Não é da nossa cultura a utilização da greve como se fossem férias, folgas ou outro expediente para não trabalhar. Greve aqui no BC é com a categoria mobilizada para reivindicar o que é justo.

 

Jogar o reajuste devido desde 2006 para 2008 e o desconto em pecúnia dos dias de greve são sinais claros de discriminação contra o funcionalismo do BC. Isso para não falar no nivelamento salarial incompatível com a importância da Instituição e o que auferem carreiras similares.

 

O BC, com a sua polêmica e austera política monetária, é um dos principais responsáveis pela estabilidade econômica, que tem propiciado ao Governo exibir indicadores jamais alcançados pela economia e, também, contribuído decisivamente para que o presidente Lula chegasse ao seu segundo mandato.

 

Este é o BC que também sofre, através dos seus servidores, o tratamento discriminatório da administração federal. Os sinais são tão evidentes, que não dá mais para esconder.

 

Pudera!  É um dos poucos órgãos da administração pública onde não se deu o "aparelhamento" da máquina, ainda que tentativas existam sempre.

 

Na última sexta-feira, 25 de maio, o funcionalismo mostrou de forma clara que está indignado e não aceita este estado de coisas. Houve adesão maciça à greve e regionais que haviam saído do movimento retornaram.

 

Já está passando da hora de a Diretoria e o Presidente do Banco tratarem o nosso movimento como uma questão institucional e de governo.

 

O envolvimento direto, no impasse com a Polícia Federal, do ex-Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e do atual, Tarso Genro, junto ao Presidente da República, fizeram a diferença que levou o Governo a reconhecer a importância daqueles colegas e atender, ainda que minimamente, os seus pleitos.

 

É o que esperamos, nós do BC, dos que dirigem esta Casa.

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