Edição 8 - 11/01/2018

Banco Central: a redução do meio circulante e a responsabilidade com o cidadão


Matéria veiculada pela página eletrônica do Valor Econômico nesta quarta-feira, 10 de janeiro, repercute a disposição do Banco Central do Brasil em reduzir a circulação de dinheiro em espécie na economia brasileira em 2018. De acordo com fonte ouvida pela publicação, o projeto, que envolve mudanças no mercado de cartões de débito e crédito, é uma das pautas prioritárias na Casa para este ano.

O aumento da bancarização, a redução da informalidade e a dificuldade imposta ao crime organizado são apontados como fatores positivos no debate sobre a gradativa diminuição das cédulas e incentivo às transações digitais. O assunto vem sendo analisado por um grupo de estudos no âmbito do órgão.

Ressaltamos o empenho do BCB em trabalhar no sentido de estabelecer mecanismos que modernizem e deem mais segurança à relação entre comerciante e consumidor no país. Entretanto, há que se registrar algumas ponderações.

Com a possível terceirização da atividade de destruição de numerário – especulada recentemente nos corredores da Casa -, somada à menor produção de cédulas e moedas, o comando da Autarquia pode estar contribuindo, ainda mais, para o esvaziamento, de quadros e de atribuições, em suas representações regionais. A medida, caso efetivada, tende a reforçar os rumores de encerramento de atividades nas sedes regionais do órgão, já que todas possuem unidades do Departamento do Meio Circulante (MECIR).

O Sinal, em reiteradas oportunidades, salientou a necessidade de valorização de regionais. Em setembro passado, por meio de Requerimento Administrativo, o Sindicato manifestou preocupação com o tema, exigindo informações, por parte da Autoridade Monetária, sobre estudos relativos a transferência de estrutura e atividades, bem como seus impactos financeiros. Relembre aqui.

Outro ponto merece atenção especial. É imprescindível observar que o dinheiro em espécie ainda atende a uma parcela bastante considerável no estoque de transações comerciais realizadas no país, em especial nas regiões menos bancarizadas. Pesquisa realizada pelo Banco Central mostra que até 2013 cerca de 78% da população economicamente ativa preferia pagar suas contas com dinheiro. Neste mesmo ano, aponta também o levantamento, aproximadamente 51% dos trabalhadores ainda recebiam salários em  numerário.

Defendemos que os estudos em tela levem em conta as peculiaridades locais de um país tão diversificado, para que, no fim das contas, a redução de cédulas e moedas não seja um “tiro no pé”. Importa lembrar que durante a 26ª edição da Assembleia Nacional Deliberativa em 2014, na cidade de Manaus, o Sinal denunciou a exclusão bancária que acomete os cidadãos em diversas localidades no Norte brasileiro.

E, por último, enfatizamos que toda a discussão deve ser administrada com bastante cuidado, visto que cartões de crédito e débito são uma importante fonte de lucro para as instituições financeiras, que devem ter grande interesse no assunto. Permaneceremos atentos e nos dispomos a construir, conjuntamente, as melhores soluções para um Sistema Financeiro mais moderno, porém sempre atento às demandas sociais.

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