Edição 86 - de 27/12/2018

CICLOS

Em janeiro de 2019 termina um longo ciclo de acordos salariais para a nossa categoria, que se iniciou em 2015. Repetindo a estratégia de 2011, o governo federal apresentava uma proposta plurianual para 2016-2019 de quatro parcelas (5,5%; 5,0%; 4,8%; 4,5%, totalizando 21,3%). Na ocasião, a expectativa de inflação (IPCA) quase empataria (5,5%; 4,8%; 4,5%; 4,5%, totalizando 20,7%). O governo queria tranquilidade para as Olimpíadas, buscando manter no atacado a solução que obteve anteriormente.

Ocorre que o clima já era de grande desconfiança quanto ao futuro. O acordo anterior (três parcelas de reajuste de 5%, aplicadas em janeiro de 2013, 2014 e 2015) não impediu que a defasagem salarial da categoria em relação a julho de 2010 já superasse os 30% em julho de 2016. Aceitar a proposta do governo, na melhor das hipóteses, apenas congelaria nossas perdas. Se a inflação recrudescesse estaríamos em uma situação complicada.

Após duras rodadas de negociação, o governo finalmente aceitou proposta com os mesmos prazos e com valores superiores aos que pretendia inicialmente conceder (diferentemente, a maior para nós, do que ocorreu na negociação com outras categorias). Depois de idas e vindas, acabamos optando pela adesão ao acordo que contemplava as parcelas de 5,5%, em agosto de 2016, 6,98%, em janeiro de 2017, 6,64%, em janeiro de 2018, e a parcela prevista de 6,31%, em janeiro de 2019. Foi uma opção de risco (sem contar com o fato de que a hipótese possível de não se chegar a nenhuma acordo poderia simplesmente nos jogar no limbo), que, ao fim, se revelou claramente uma vitória significativa da ação sindical.

A manutenção deste acordo, entretanto, longe de trazer uma definição para o horizonte dos servidores do BCB, mostrou-se uma verdadeira epopeia, sendo necessário pressionar o Congresso Nacional e acionar a Justiça para se fazer cumprir o termo assinado. Após a reviravolta política de 2016, como sabemos, o governo elegeu o servidor público como o seu bode expiatório, e o que era um ato jurídico perfeito proposto pelo próprio governo federal passou a ser divulgado, com o apoio da imprensa do capital, como um crime lesa-majestade perpetrado pelo governo anterior em conluio com os Sindicatos.

O Sinal, assim como os Sindicatos das demais categorias reunidas no Fonacate e no Fonasefe, não se intimidou e denunciou o discurso de hipocrisia que cotidianamente nos apontava como vilões, por defender o nosso direito, enquanto tenebrosas transações se mantinham ativas descaradamente no Congresso Nacional. Ao fim deste período, obrigamos o governo a respeitar o acordo, não poupando articulação e instrumentos judiciais, sempre que necessário.

Gostaríamos de agradecer a confiança depositada por todos aqueles que não descuraram da nossa luta em prol da categoria.

Neste mesmo período, no front interno, mantivemos, entre outras iniciativas, a luta pelo nosso PASBC, que, a título de adequação das despesas dos servidores, recebeu diversas vezes, por parte da Administração Central do Banco, propostas de mudanças que foram rebatidas pelo Sinal. Afinal, queremos sempre discutir o PASBC, principalmente a sua gestão solidária, e não apenas o mero repasse dos custos integralmente para os servidores e seus dependentes.

Em 2019 se inicia um novo ciclo, sabemos perfeitamente que em condições ainda mais adversas, tanto internas como externamente. Por esta razão, esperamos contar com o apoio dos servidores do Banco Central do Brasil, para que juntos construamos um Sindicato ainda mais forte, e, assim, possamos enfrentar os duros tempos que se iniciam.

Edições Anteriores
COMPARTILHAR
Matéria anteriorEXTRA EXTRA EXTRA
Matéria seguinteAs lágrimas dos crocodilos