Edição 623 - 31.07.2026

VITRINE CULTURAL: IMIGRANTES E REFUGIADOS

 

 

Imigrantes e Refugiados

 

Recentemente, em 25 de junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por maioria de 6 a 3, autorizar o governo americano a encerrar o Status de Proteção Temporária (TPS) para mais de 356 mil imigrantes da Síria e do Haiti. A decisão pode ter reflexos sobre imigrantes de outros países, já que atualmente mais de 1 milhão de pessoas vivem nos EUA sob essa proteção e o cancelamento do TPS impediria esses imigrantes de trabalhar legalmente no país, tornando-os sujeitos a prisão e deportação.

 

É muito triste pensar que esses refugiados, após conseguirem escapar de seus países de origem, enfrentando enormes dificuldades, e obterem uma condição legal no país que inicialmente lhes concedeu asilo, agora podem ser sumariamente deportados. Ao ler essa notícia, me lembrei de alguns filmes sobre esse tema, que abordam a fuga dessas pessoas ou o acolhimento delas no destino. São histórias que me tocaram profundamente e que recomendo assistir.

 

O primeiro é As Nadadoras (2022), disponível na Netflix, que conta a história real e incrível de duas irmãs, exímias nadadoras, que fogem da guerra na Síria, fazendo uma travessia arriscada, em um bote inflável superlotado, da Turquia para a Grécia, para chegar depois à Alemanha. Em Berlim, uma delas consegue retomar os treinamentos de natação e ser selecionada para competir pela primeira Equipe Olímpica de Refugiados nas Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016.

 

 

 

Minha segunda recomendação é a comédia francesa Vizinhos Bárbaros (2024), também disponível na Netflix. Estrelado e dirigido por Julie Delpy, o filme aborda com toques de humor os preconceitos de uma pequena comunidade de um vilarejo francês, que esperava a chegada de refugiados ucranianos, mas acaba recebendo uma família de imigrantes sírios, o que desencadeia um choque cultural.

 

Outro filme excelente, que mostra a tensão entre refugiados sírios e habitantes locais é O Último Pub (2023), derradeiro trabalho de Ken Loach, um dos meus diretores preferidos. A história se passa num vilarejo decadente da Inglaterra, onde o proprietário de um pub luta para manter seu negócio. A chegada dos imigrantes provoca uma série de conflitos entre os tradicionais frequentadores do pub, mas propicia também uma amizade inesperada entre o dono e uma jovem síria. O filme está disponível para aluguel no Google Play e para compra nas plataformas Apple TV e Prime Video.

 

Segundo a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), até o fim de 2025, havia no mundo todo 41,6 milhões de refugiados, 9 milhões de requerentes de asilo e 68,7 milhões de deslocados internos. Cerca de 70% dos refugiados provêm dos seguintes países: Venezuela, Territórios Palestinos, Ucrânia, Síria, Afeganistão, Sudão e Sudão do Sul. Enquanto a continuidade das guerras e a ocorrência de desastres naturais, como o recente terremoto na Venezuela, agravam a situação das populações afetadas, o financiamento do auxílio humanitário tem diminuído drasticamente, conforme alerta do subsecretário-geral de Assistência Humanitária da ONU, Tom Fletcher. As contribuições humanitárias totais dos EUA para a organização caíram de US$ 14,1 bilhões em 2024 para cerca de US$ 3,38 bilhões em 2025, sob o mandato de Donald Trump.

 

Se o drama de refugiados de todo o mundo sensibiliza você, saiba que pode contribuir com uma doação para o ACNUR.  Outra organização que admiro muito e merece apoio é a Fraternidade sem Fronteiras, cujo Projeto Nação Ubuntu destina-se a melhorar a vida dos refugiados que estão no Campo de Dzaleka, no Malawi, oferecendo saúde, educação e oficinas de trabalho. Criado pelo ACNUR em 1994 para receber fugitivos do genocídio de Ruanda, Dzaleka é hoje um dos maiores campos de refugiados da África, abrigando cerca de 60 mil pessoas oriundas de vários países africanos em conflito, principalmente do Congo.

 

Simone Daumas é servidora aposentada do Banco Central do Brasil e Conselheira Regional do Sinal-RJ.

 

A coluna expressa opiniões da autora e não reflete necessariamente o posicionamento do Sinal-RJ.

 

Envie críticas, comentários e sugestões para simone.daumas@gmail.com

 

 

 

 

 

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