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Decisão da AGN provoca reunião de urgência do BC e o Sinal
A decisão da Assembleia Geral Nacional dos servidores do Banco Central, realizada ontem, 28, resultou em reunião de urgência na tarde de hoje, 29, entre o diretor de Administração do BC, Altamir Lopes e a chefe do Depes, Nilvanete Costa, e o presidente nacional e o diretor de Relações Externas do Sinal, Sergio Belsito e José Ricardo, em Brasília. Participou também do encontro o Sr. Lourenço, representante do Sindsep-DF.
O objetivo do encontro foi o de analisar a conjuntura da nossa campanha salarial em relação à proposta do governo, de 15,8%, em três parcelas (2013, 2014 e 2015), debatida em assembleias de servidores por todo o país. Nossa categoria, a da Receita, da Polícia Federal, entre outras, como as de agências reguladoras, rejeitaram a proposta.
Diante da aparente inflexibilidade, em especial nas relacionadas às questões financeiras, como a nossa, foram estudados diversos outros aspectos no sentido de viabilizar uma nova proposta governamental para que ambas as partes sintam-se contempladas (Executivo-Servidores).
Altamir Lopes comprometeu-se a levar imediatamente o resultado da reunião ao ministro-presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para que este buscasse, junto ao governo, caminhos que solucione o impasse nas tratativas de nossa campanha salarial.
Ao final da tarde, o Sinal recebeu ligação telefônica do secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento (MPOG), Sergio Mendonça, para que aguardássemos, em plantão, pois uma reunião ainda poderia ser realizada no decorrer desta noite.
Diante disso, conclamamos a atenção da categoria, pois, em caso de avanços na proposta governamental, o Sinal poderá convocar Assembleia Geral Nacional de urgência para nova avaliação das negociações.
AGN hoje
Chegou a hora da decisão!
Sua presença e seu voto
são necessários!
Assembleia Geral Nacional
HOJE, 3ª.f, 28.8 – 14h
Entrevista na RIONET
Entrevista - Sergio Belsito
Todos hoje às assembleias!
Movimento será avaliado hoje nas assembleias e delas sairá uma decisão final sobre a proposta do governo
Ante a expectativa em torno das assembleias que serão realizadas hoje em todo o Brasil, o presidente nacional do Sinal, Sergio Belsito apela para que todos compareçam à convocação do sindicato. E se dirige aos novos servidores: “Faço aqui um convite aos novos servidores do BC para que se filiem e se aproximem do sindicato. O salário inicial de hoje foi conquistado com grandes lutas. A sua manutenção também dependerá da continuidade de nossa mobilização e participação. A criação do FUNPRESP é um sinal claro de onde o governo Dilma quer chegar.”
œComo você avalia a campanha salarial e seus resultados?
SERGIO BELSITO – Está sendo uma campanha dura, duríssima. De nossa parte fizemos tudo que estava ao nosso alcance nos dois últimos anos: trabalho de mídia, construção de uma unidade entre as carreiras de estado, que precisa ser fortalecida, principalmente nos estados. Fizemos interlocução com autoridades e mobilização da base quando o momento demandava. Por parte do governo, a atuação foi de baixo nível, pouco civilizada, com interferência direta da Presidente Dilma ,tentando desqualificar e demonizar os servidores públicos, principalmente os de carreiras estratégicas. Requintes de crueldade e de arapongagem foram usados pelo governo.
O que há entre o governo, a mídia e os empresários em comum contra os servidores públicos?
BELSITO – Primeiramente, a mídia não tem isenção e trabalha para o capital e para o governo. Os empresários veem nas despesas com os servidores públicos a maneira mais fácil de reduzir a carga tributária e o custo Brasil. Normalmente são empresários bem-sucedidos que assessoram o governo mas, que, em sua maioria, tiveram suas fortunas construídas nas tetas do BNDES e não pela eficiência que querem demonstrar. Por parte do governo, vemos uma percepção de que os servidores são muito bem remunerados, para o padrão da iniciativa privada, e que são ineficientes. Além disso, a burocracia de estado acaba por atrapalhar as pretensões do governo de fazer o desenvolvimento acontecer, a qualquer custo, sem os controles necessários com os recursos públicos. O exemplo maior desse pensamento é a proposta de dar aos procuradores contratados por livre nomeação os mesmos poderes dos concursados.
Com a decisão das assembleias de hoje sobre a aceitação ou não da proposta do governo a campanha salarial está encerrada?
BELSITO – Não, claro que não. Estamos concluindo uma batalha e não toda a guerra. Temos o comando da AND de buscar a modernização das carreiras e o topo do Executivo. São determinações ao SINAL que deverão ser perseguidas, quer em mesa de negociação quer no Congresso.
Sobre a contraproposta feita na mesa de sábado e não aceita, imediatamente, pelo governo, o problema foi orçamentário?
BELSITO – Não, avaliamos, juntamente com o pessoal da área orçamentária do governo a questão. A contraproposta daria um comprometimento máximo de 7,5 bilhões de reais, com peso maior em 2014 e 2015. A negativa , por parte do governo, se fundamenta em orientação política. O governo precisava dar demonstrações à sociedade que tem o controle dos gastos públicos e que tem supremacia sobre o movimento sindical.
Como você avalia a proposta negociada que será levada à votação?
BELSITO – A proposta foi imposta e não negociada. Ela tem um único mérito, a meu ver, em trazer um reajuste linear para os servidores, principalmente para as categorias cujas tabelas estão estruturadas. Entretanto, ela é insuficiente por não repor imediatamente as perdas inflacionárias passadas que já se acumulam em 23,00%, por trazer apenas uma frágil proteção para os salários nos próximos três anos e só permitindo que possamos obter novas reposições, de fato, a partir do ano de 2017.
Você pessoalmente aceitaria a proposta?
BELSITO – Eu me alinho à avaliação do Conselho Nacional do SINAL de que a proposta é insuficiente. Entretanto, como presidente não seria bom eu me manifestar nesse momento sobre a proposta. A avaliação tem que ser de cada um e não gostaria de influenciar ninguém. Cabe ao dirigente sindical expor à categoria os seus efeitos financeiros, cenários, dificuldades e perspectivas futuras. Gostaria que a decisão se desse pela avaliação da categoria. Todos devemos participar das assembleias hoje. É uma decisão que vai influenciar nossa carreira pelos próximos anos.
Se a proposta como um todo é insuficiente e amarra por um período longo, porque não negociar somente para 2013?
BELSITO – O governo não aceita. Ele quer a garantia de que terá tranquilidade nos anos seguintes para enfrentar os mega eventos. Ou seja, ele não quer ver mais mobilização de servidores públicos nesse governo.
Essa situação anterior é a melhor?
BELSITO – Depende da conjuntara mais a frente, depende da força que poderemos unir para pleitear e, também, do rol de entidades que não aceitarão a proposta na mesa de hoje.
Qual a tendência das demais carreiras?
BELSITO – Na base da Condsef que trata de 18 carreiras dos servidores de apoio dos ministérios, já houve a aceitação. No ciclo de gestão e núcleo financeiro a base da UNACON assim como a nossa estão muito parecidas. A base da CVM defende a rejeição da proposta. As demais entidades do Ciclo de gestão devem aprová-la.
Mas o Sindifisco irá rejeitar a proposta?
BELSITO – Sim, a base já rejeitou. Entretanto se houver sinalização do governo para o atendimento de outros pleitos da categoria não financeiros, a exemplo da autorização de porte de armas, a proposta poderá ser reexaminada novamente pela base.
E sobre a falta a greve?
BELSITO – Pleitearemos junto à direção do BC a reversão dos dias paralisados. O mínimo que o funcionalismo espera da direção do BC é o seu envolvimento nessa questão menor.
Como você avalia o comportamento da categoria na campanha?
BELSITO – Formidável. Confiante nas orientações do SINAL e bem participativa.Em função da falta de independência do judiciário e da predominância das decisões contra a greve, buscamos centralizar a mobilização para os momentos fundamentais da campanha. Tenho grande orgulho e admiração da base que represento.
O que podem esperar os servidores públicos desse governo?
BELSITO – A implantação de um arrocho salarial que já se iniciou e medidas medievais e truculentas para dar mostras de eficiência na máquina pública, tais como "catracas" avaliação de desempenho com critérios que mais avaliarão o nível de submissão dos servidores do que a sua eficiência. Temos que estar atentos e reagir.
A decisão é hoje à tarde, em assembleia
Hoje, terça-feira, 28, na parte da tarde, decidiremos em Assembleia Geral Nacional (AGN) se aceitamos a proposta do governo: reajuste de 15,8% divididos em três vezes parcelas de 5%, a partir de janeiro de 2013, ou se recusamos e continuamos a lutar para um reajuste maior para 2014.
Participe da assembleia. Sua omissão significa estar de acordo com o que os demais votarem. Venha expor seus argumentos. Nossa decisão será no voto.
Categoria rejeita proposta do Governo
Aproximadamente 63 % dos votantes foram contra a aceitação da proposta do Governo e 35 % votaram pela aprovação, com 2 % de abstenções.
Resultado consolidado da votação de hoje:
REGIONAIS
ACEITAÇÃO
REJEIÇÃO
ABSTENÇÃO
TOTAL DE VOTANTES
ASS. LISTA PRESENÇA
BELÉM
14
24
1
39
43
BELO HORIZONTE
30
98
2
130
149
BRASÍLIA
368
375
4
747
891
CURITIBA
28
41
0
69
70
FORTALEZA
9
39
4
52
52
PORTO ALEGRE
41
16
3
60
70
RECIFE
28
56
3
87
93
RIO DE JANEIRO
31
151
2
184
226
SALVADOR
4
31
4
39
50
SÃO PAULO
22
193
4
219
220
TOTAL
575
1024
27
1626
1864
